A madrasta de um menino de 9 anos foi presa em
Feira de Santana, na terça-feira (25), acusada de torturar, prender e
negar socorro ao enteado após queimá-lo com água quente. De acordo com a
titular da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), Klaudine Passos, a
jovem de 27 anos foi presa após uma denúncia anônima relatar que o
menino sofreu queimaduras e estava preso em casa, agonizando.
O pai da criança também vai responder por não ter
socorrido o filho. A situação aconteceu na última quinta-feira (20),
depois que Carla Matias Vieira Santos chegou em casa do trabalho. Ao ser
presa, a diarista relatou que chegou na residência que dividia com o
enteado, o marido e o filho do casal, e viu tudo sujo e molhado de água,
além de perceber que um perfume dela tinha sumido.
O casal saía para trabalhar e deixava os filhos sozinhos em casa."Em
depoimento, ela contou que ficou nervosa, achando que o menino tinha
levado alguém estranho em casa e sujado tudo. Ela também achou que ele
deu o perfume dela para outra pessoa", disse a delegada Klaudine.
O garoto de nove anos ia brincar com os amigos na
rua, e retornava para casa antes da chegada da madrasta. Neste dia, no
entanto, ele foi surpreendido.
"Ela [Carla] ferveu uma panela de água e mandou o
menino ajoelhar. Depois de queimá-lo, ela jogou água fria nele", diz a
titular.
Quando o pai das criança chegou em casa, a diarista
disse que o enteado havia se queimado e ela já tinha socorrido ele para
um hospital.
"Ela inventou uma história de que o médico
disse que, como ela tinha cursado três semestres de técnica de
enfermagem, seria melhor levar o menino para casa e cuidar dele lá
mesmo, para evitar uma infecção hospitalar. Só que ela não socorreu ele
em momento nenhum", relata a delegada Klaudine.
O menino foi mantido preso dentro de casa por cinco
dias. Ontem (25), após a denúncia, duas equipes da Polícia Civil da DAI
estiveram na casa da família e prenderam Carla em flagrante. Ela vai
responder por tortura, cárcere privado e omissão de socorrido. A
diarista foi levada ontem mesmo para um presídio feminino no Conjunto
Penal de Feira de Santana.
Ele passou por uma limpeza cirúrgica nos ferimentos,
que estavam infectados, na manhã desta quarta-feira (26). Ainda segundo
a titular da DAI, por conta da gravidade dos ferimentos dele, desde
ontem o conselho tutelar tenta transferi-lo para o setor de queimados do
Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador. A assessoria de
comunicação do hospital não confirma esta informação.
O pai do menino vai responder por omissão de
socorro. "Ele não foi preso porque é um crime de menor potencial
ofensivo. Mas vai responder a um termo circunstanciado de ocorrência
sobre o caso", informa a delegada Klaudine Passos. A guarda do menino
será decidida futuramente pelo Conselho Tutelar.
