O deputado Pastor Isidório (PSC) fez um
discurso ontem na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) em que afirmou
que a existência de casais homossexuais agride à família de Deus, que é
formada por um homem e uma mulher. Ele disse ainda que a mídia
brasileira busca tornar o Brasil um prostíbulo.
A fala de Isidório foi repudiada pela deputada
Fabíola Mansur (PSB), que subiu na tribuna em seguida - antes, ela já
havia elogiado a iniciativa da Globo em exibir um relacionamento
homoafetivo na terceira idade. "Defendo a Constituição, o amor. E a
Constituição garante direitos iguais à toda população. Não entrarei
nessa guerra de heterossexual x homossexual. Quero apenas que todas as
pessoas sejam respeitadas igualmente", disse a deputada."Ninguém
é obrigado a ver essas nojeiras (casais gays) na sala da própria casa.
toda novela tem essa sujeira agora", afirmou Isidório. Ele criticou
diretamente as atrizes Fernanda Montenegro e Natália Timberg, que
viverão um casal gay em "Babilônia", nova novelas das 21h da TV Globo.
"Duas senhoras de idade se submetendo a esse papel, essa coisa suja.
Querer incentivar idosos de bem a serem gays em uma novela? Já estão
fazendo a cabeça dos jovens, agora querem fazer a cabeça dos velhos. A
vovó gay, o vovô gay", criticou.
Nesta quinta-feira, um dia depois do episódio, o
Grupo Gay da Bahia rebateu a fala de Isidório e enviou uma nota de
denúncia ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) sobre o caso. Para
Marcelo Cerqueira, presidente da entidade, é um absurdo que um deputado
pago com dinheiro público use seu tempo para fazer discursos de teor
preconceituoso. Na nota, o GGB critica o discurso de Isidório,
classificado de "agressivo" e "virulento".
"O
GGB solicitou uma copia do áudio visual com o pronunciamento do
deputado para fazer uma analise do perfil do parlamentar e responder
seus ataques a uma população que possui direitos e deveres, paga seus
impostos , sendo inadmissível que um parlamentar utilize um espaço
democrático e social como a Casa Legislativa para semear ódio,
preconceito e intolerância, já que seu mandato é patrocinado pelo
dinheiro público dos impostos de todos os cidadãos", diz o texto.
|
A entidade pretende enviar uma cópia da fala de
Isidório para o Conselho Nacional de Justiça do Supremo Tribunal Federal
(STF) e também vai pedir a deputado Marcelo Nilo, presidente da AL-BA,
que instaure processo junto ao Conselho de Ética da Casa para investigar
a conduta do deputado.
