De acordo com a delegada Klaudine Passos, titular da DAI, a polícia recebeu a denúncia de que Niziane Alves de Souza e Souza, 22 anos, que reside no conjunto Amazonas, teria entregado em troca de um emprego, o filho de apenas 22 dias de nascido a um casal homossexual na cidade de Alagoinhas, onde ela também tem residência.
“Entramos em contato com a Secretaria de Saúde de Alagoinhas, conseguimos um ofício do hospital, atestando realmente que ela teria dado a luz a uma criança do sexo masculino, e que teria saído desse hospital com um senhor. Nós então chegamos até a avó da criança que relatou que Nilzeane teria dado a criança porque não teria condições de criá-ala”, disse.
Nilzeane foi à delegacia com a com a certidão de nascimento e a criança, que nasceu no dia 1º de março, no Hospital Maternidade Doutor Carlos Meireles, em Alagoinhas.
“Na certidão consta o nome de José Vânio Ferreira da Silva, sendo que Nilzeane informou que o presidiário Israel dos Santos Pereira, é o pai. Deste modo, a pessoa que registra a criança como pai, mesmo não sendo o pai biológico, vai responder pelo artigo 214 do Código Penal. Já a senhora Nilzeane, que afirmou que o homem que registrou a criança ofereceu emprego tanto a ela quanto a uma amiga, vai responder pelo artigo 238, da Lei 8069/90, que é dar a criança mediante recompensa, que no meu entender, há uma promessa de recompensa quando ele ofereceu emprego”, disse.
O Conselho Tutelar vai acompanhar a criança e a mãe, que nega ter vendido a criança por R$ 4 mil. Ainda segundo a delegada, o pai da criança, que está preso no Conjunto Penal de Feira de Santana, não sabia que o filho dele foi registrado por outro homem.

A avó, Zélia Ferreira, pediu para criar o menino, mas a acusada informou que já “tinha dado a palavra” ao casal. “Ela disse que o menino ia ficar bem, que ele seria bem cuidado porque o pessoal tem condições de dar o que ele merecia”, disse.
Caso semelhante
A mãe biológica, Vanessa Sena Alves, 33 anos, afirmou que não recebeu dinheiro nenhum pela entrega do bebê. Segundo a denúncia, o casal, que já foi liberado do Conjunto Penal de Feira de Santana, pagaria R$ 5 mil pela menina. “Dei porque eu quis e não tinha condições nenhuma de cuidar da criança. Eu não joguei no lixo, não fiz nada demais. Eu preferi dar para uma pessoa que tinha condições melhores que eu”, disse.

