
A Associação de Praças da Polícia Militar
da Bahia (APPM-BA), maior entidade representatividade da categoria com
oito mil filiados em todo o estado, reagiu às declarações do governador
Rui Costa (PT) durante apresentação do novo comandante geral da PM
baiana, coronel Anselmo Alves Brandão, na última sexta-feira (2).
O líder baiano afirmou que não irá tolerar crimes envolvendo PMs e destacou que assim como o "policial
é pai e mãe de família, que têm filhos, e eles devem voltar para casa
depois de cumprir a jornada de trabalho, da mesma forma, eu quero que
eles pensem que quem está na rua é um cidadão, um jovem, e mesmo aquele
que está cometendo um delito tem um pai, tem uma mãe, que querem ver o
filho, em algum momento, voltar para casa”.
“É lamentável ouvir de um governador
recém-empossado palavras que, com certeza, desmotivam sobremaneira a
comunidade policial militar, usando palavras com tom ameaçador como se
nós policiais não fossemos pais e mães, filhos e netos ou como se não
fizéssemos parte dessa sociedade e que também vem sofrendo com a
violência inclusive do crime organizado”, criticou o presidente da
APPM-BA, Roque Santos.
Para o dirigente, os policiais baianos
vêm sendo “caçados”, e até o momento não houve nenhum pronunciamento
oficial por parte do Estado.
“Não precisamos ser execrados, pois
sabemos da nossa missão e continuamos fazendo mesmo com o risco da
própria vida, precisamos de motivação e não de ameaças, nós nos
respeitamos, queremos e exigimos ser respeitados”, cobrou.
A entidade representativa dos praças
sugeriu ainda que a Corregedoria da PM se torne uma “Casa Correcional”.
“Os desvios de conduta têm que ser combatidos como tem sido com o rigor
que a lei determina, só não pode ser generalizados como se a maioria
desviasse”, afirmou.
Para a Associação, o crescimento da
criminalidade nos últimos anos no estado e aumento de mortes de
policiais na mesma proporção só serão resolvidos com “políticas de
segurança pública mais eficazes e com policiais motivados e
valorizados”.
O governador Rui Costa ainda não se pronunciou sobre as declarações da entidade.