Poderia
ser mais um dia de inverno como outro qualquer com a chuva e forte
ventania que atinge Salvador, nesta quarta-feira (06). Não para
Marinúbia Gomes, enfe
rmeira obstetra e mãe dos irmãos Emanue
l e
Emanuelle Gomes, que morreram no mês de outubro de 2013 após se
envolverem em um acidente na moto em que estavam, com o carro da médica
Kátia Vargas. Pela primeira vez no “Poste da morte”, como ficou
conhecido o local do acidente, em Ondina, Marinúbia que nunca havia
participado de um protesto no ponto exato da morte dos filhos conversou
com a reportagem do Bocão News. Emocionada, ela afirma
ter sido incentivada por amigos e familiares que lutam por justiça.
“Logo quando aconteceu o acidente eu não conseguia nem passar neste
lugar”, disse.
Hoje, Marinúbia diz estar enfrentando a situação dia após dia e reforça
que a localização onde seus filhos morreram se tornou um lugar
simbólico. “Foi onde tudo aconteceu e vamos incomodar a quem for para
que a justiça seja feita”.
Demonstrando segurança em suas palavras, a mãe dos jovens ressaltou que
não adianta ficar “com a cabeça baixa e olhando para o chão” e ressaltou
que o momento é de preparação para o que estar por vir. Marinúbia
afirma isto na intenção de não deixar que o caso caia no esquecimento e
também para cobrar celeridade no julgamento do processo contra a médica
Kátia Vargas. “Ela arrancou meus filhos de mim. E nós não vamos esquecer
isso. Ela vai pagar caro e vai acabar na cadeia”, desabafou.
Ainda durante a entrevista, Marinúbia enfatizou que a sua expectativa
quanto a ida de Kátia Vargas a júri popular reforça a confiança no
advogado da família, Daniel Keller que acompanha o caso direto de
Brasília. “A justiça da Bahia determinou tudo que poderia e atualmente o
caso está sendo movimentado na Capital Federal, mas está sendo
desenvolvido com uma certa celeridade”, garantiu.
Júri popular
Os novos advogados de defesa da médica Kátia Vargas ainda tentam
reverter a decisão da Justiça baiana. Um recurso foi impetrado junto ao
Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
“Como são instâncias superiores, caso decidam que Kátia Vargas não deve
ir à júri popular, será a decisão que prevalecerá”, explicou ao Bocão
News o advogado da família das vítimas, Daniel Keller.
Acusação
A médica é acusada de matar os irmãos em outubro de 2013. Eles estavam
em uma moto quando se envolveram em acidente com o carro de Kátia
Vargas.
O inquérito policial e a acusação do Ministério Público (MP) consideram
que a médica provocou a colisão de forma intencional. A batida projetou
Emanuel e Emanuelle contra um poste. Eles não resistiram ao choque e
morreram no local.
Antes do acidente, Emanuel teria discutido com a médica após ser fechado
por ela. Testemunhas alegam que ela perseguiu os irmãos em seguida.
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» “Ela vai pagar caro pelo que fez”, desabafa mãe de irmãos sobre Kátia Vargas